Follow by Email

domingo, 30 de agosto de 2015

31 de Agosto

Como nasce a poesia? De uma sorte de dores e sentimentos que, por si, trazem aparente beleza? Seria da leveza que pesa na alma? Do silêncio, barulho, tempestade ou da calma? Alva pele que exala um canto, papel e cor de minhas palavras. Serena voz que, branda, brada fado de doçura, triste de tanto encanto. Assim nasce o que, no entanto, tentando, eu não saberia dizer. Mesmo em posse dos mais belos versos, de forma alguma, confesso, poderia ser justo ao descrever. Teu olhos, toques, pureza e paz. A beleza que se esconde por trás de tanta beleza. Como nasce o céu, a luz, a candura? Por a acaso, não é o amor a sua natureza? Assim nasce a poesia. Dos medos, alegrias, das lutas e dores. Do desesperar e esperar em fé. Crescer, orar, se manter em pé. Diante aquilo que nunca se fez ser claro, ser luz e enxergar um brilho raro em tudo aquilo que não brilha. Cintila a mansidão que roubou meus olhares. Minto, não é roubo pois eu os dei. Livre por escolha, não mais são meus. Na verdade,  em ti eles são bem melhores. E a metade de mim se fez em flores. Digo ao mundo em muitas vozes: assim a poesia nasceu, quando nesse dia o mundo teve a graça de ser visto aos olhos teus. 

sábado, 8 de agosto de 2015

9 de Agosto


  1. Ela não entendia o porquê eu morria, um pouco mais constante a cada dia. Éramos felizes na simplicidade de um sorvete com bolo. Éramos sofríveis na complexidade de um verso mal escrito, posto em prova em hora pior. Cantado em trova sem rima melhor. As lembranças doces são as que mais amargam. Azedam no peito, de efeito que são. Posto feito ilusão, benção, sorte e refrão. Assim como dura  a amargura, será que cura o coração? Das noites de história que eu lia, ouvia no telefone o seu respirar.  Esperando que dormisse em paz, lhe dando a paz que jamais pude dar. É história sem fim e nem feliz final. Afinal, de que felicidade é feito o fim? Se o sol vem logo após o temporal, o que vem depois do sol enfim? Unhas, cabelo, roupas e peso, das tuas manias, teus exageros, qual seria o próximo que me faria rir por dentro? Pois perfeito era tudo que eu via, enquanto você sofria atrás dos moinhos de vento. Triste sorte tem o coração quando de sorte padece o que se sente. Mente pra si a mente em vão. Um vão na alma o corpo sente. É dia 9 de agosto e que gosto isso tem? Visto que o era quando éramos, triste o que agora não somos. Rasgo o calendário e não mais contarei os dias, não mais saberei a datas. Rasgo as cartas, as fotos, faço as malas. Porém, por dentro, não vou a lugar algum. Em lugar algum padeceria o que me faz padecer na solidão. Lembranças não são memórias. Lembranças se apagam, memórias se cravam no coração.

sábado, 11 de outubro de 2014

Não Há Outro Lugar

Preto e branco, um sorriso 
A vida passa como filme 
Que ninguém escreveu 
Vejo luzes na estrada
Mas só há um caminho que me leva pra casa 

Me escondo aqui dentro 
A música toca alto 
Não escuto ninguém 
Pra mim tanto faz 
Porque agora eu sei,
Eu sei

Tudo que passei 
Por onde passei 
Me trouxeram até aqui
Tudo que passei 
Por onde passei 
Me trouxeram até Você

Não há lugar melhor pra estar 
Que o teu sorriso 
Não há lugar melhor, não há
Não há outro lugar 

Vejo a vida acontece 
De repente esqueço 
Da velha solidão 
Pequenas coisas 
Engrandecem e trazem sentido
Ao que levava partido um coração 

E nas ruas um grito 
Pessoas se olham 
Mas não podem ver 
Histórias se unem 
Algumas dores nos partem
Mas eu sei 

Tudo que passei 
Por onde passei 
Me trouxeram até aqui
Tudo que passei 
Por onde passei 
Me trouxeram até você 

Não há lugar melhor pra estar 
Que o teu sorriso 
Não há lugar melhor, não há
Não há outro lugar 






quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Pra Que a Vida se Viva Direito

Quase posso ouvir 
Ouço o som dos acordes 
Que tocavam uma velha canção 
Que dizia que 
Era mais fácil andar 
Sem olhar pra trás
Sem se perder do chão 
Mas a vida acontece 
Ensurdece a alma 
A calma se vai 
Um pouco de paz se esvai 
Pelas nossas mãos 
Tarde em sépia 
De cores cansadas 
Percebem que a vida é mais
Que um canto escondido 
Dentro de nós 
Tomado pelo som da nossa própria  voz
Que grita, irrita,
Evita a vida porque sente dor
Não sabe, acaso, que o próximo passo é o que muda a cor
Mas ninguém caminha pra dentro de si
Assim, pra fora, sem jeito
Com medo, anda 
Sai de dentro 
Do seu próprio peito 
Entrega a vida 
Pra que a vida se viva direito 



terça-feira, 7 de outubro de 2014

João de Barro


Assim ela foi embora. Levou o sorriso e metade dos meus sonhos. Não lutou, não brigou e nem pediu pra ficar. Já havia uma mala guardada embaixo da cama, cheia de bons motivos. Fico pensando como seria se eu não tivesse construído nossa casinha de barro. Se por dentro eu não tivesse trancado tudo. Qual história eu contaria aqui? A de um quase amor? A de um quase sofrer? Infelizmente, de quase, já basta eu. Um quase eu. Um eu pela metade, porque o a outra parte ficou nela. Não entendi quando ela devolveu minhas coisas e ficou com quase tudo de mim. O pior é esperar ouvir asas bater lá fora. Esperar pousar aqui perto, como, de certa forma, sempre esperei. Nem sei se João de Barro canta, sei que meu canto ficou triste demais. O meu canto ficou vazio demais. Em um canto fiquei vazio demais. Nessa morada de barro vive o homem de barro. O pássaro sem asa. Voando pela graça de Deus. 


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Surdo

Já faz um tempo 
Não Te escuto 
Não Te vejo 
Mas,dentro de mim,
Sinto a Tua paz 

Me levanto
Não por mim mesmo 
Pois já nem tenho mais 
A força que um dia achei que tinha 

Desabo sobre as pernas 
Tento manter os pés na linha 
Que separa o desespero da esperança 

Eu espero ainda ouvir Tua voz
Quero ainda ver Teu rosto 
Estou esperando como os que esperam a sós 
Com os mesmos nós nas gargantas 
Querendo falar como filhos teus

Talvez ouvir só uma vez 
"Me calei, mas não te esqueci filho meu" 


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

A Última Carta de Amor Que Andrew Pinheiro Escreveu Calçado

Do nosso amor, ficou um par de tênis que você me deu. Desbotado de tanto que uso. Não é só porque gostei do presente, mas foi você quem me deu. Lembro que uma ou mil vezes me chamou a atenção (eufemismo em sua mais pura e literal interpretação) sobre não usarmos aliança de compromisso ou qualquer coisa assim. Era algo que você precisava para ter segurança. Todas as madrugadas que me aventurava na rua só pra ficar mais dez minutos contigo ao meu lado, dormindo a maioria das vezes. Todos os pedidos de perdão e o perdão dado. Todas as ligações ao longo do dia, todo dia. As músicas que secretamente tinham seu nome. As incontáveis horas tentando fazer você sorrir. Tudo que eu nunca fui pra ninguém, eu fui pra ti. Quando, relutante, que isso fique bem claro, eu deixava que testasse em mim até seus esmaltes. A omelete que aprendi a fazer, logo eu que queimava até água na cozinha. Os passeios bobos só pra comer besteira. O pinguim que parecia comigo. A barba que eu fazia sem querer fazer, isso já se tornara mais raro. Enfim, todas as vezes que era claramente muito mais fácil ir embora do que ficar e eu ainda ficava. Porque o meu futuro tinha uma criança que parecia com você, uma casa comprada com muito trabalho, sextas de hambúrguer, um cachorro chamado Tihuana, dois velhos reclamões que se amavam. Essas coisas não te davam a segurança que um elo de prata ou ouro no dedo traria. Esse par de tênis era minha aliança. A camisa que trouxe do nordeste, O perfume que me deu. Teu sorriso. As vezes que me ajudou, o abraço que me acalmava, a voz que fazia pra me imitar. Quando encostava sua cabeça no meu ombro ao andar na rua, o medo que você tinha dos cachorros e suas tentativas frustradas de assustar os gatos. As lembranças de tudo que vivemos. Tudo isso era minha aliança. Só ficou o par de tênis e uma escolha que não fiz.