Follow by Email

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Sobre Ter Fé


Deixa eu te falar um pouco sobre o que é ter fé. Sabe quando escurece e você faz planos para o dia seguinte? Não há certeza que ele virá, mas está acostumado que o sol nasça todas as manhãs. Intuitivamente você crê. Racionalmente você entende. Empiricamente você concebe. Disso que falo, não é ter fé. A fé toma lugar onde a razão não chega. Ela lê o inteligível e explica o que os mais elaborados e eloquentes discursos não podem explanar. Clareia a sala, ainda que não haja luz. É o porto que abriga os que navegam sozinhos. Ela é o afago que acalma a desesperança. A mãe de toda a esperança. Ela é o que não se viu e nem se ouviu, mas o que o coração aprendeu a amar. É mar de certezas daquilo que não se pode comprovar. É prova de que não é o mais forte que sempre vence, mas o que crê. Porque é muito fácil lutar e vencer quando se tem tudo para prosperar. Porém, há quem nasça na contramão, com um destino escrito de antemão. Aqueles que entendem que a sorte não é justa. Para esses, ter fé é ar.  É o vento que lhes dá asas. É o peso que favorece. O caminho que os leva àquilo que precisam. Pena que nem todos saibam o que precisam. A fé é tão importante que até o conhecedor de todas as coisas a possui. Pois Ele teve fé ao criar um ser que iria abandoná-Lo e desprezá-Lo. Contudo, foi nesse desprezo e abandono que nasceu a fé. A mais genuína delas, a de pai. Aquela que acredita com todo coração que ainda que o filho se perca, ele saberá como voltar. Dizem por aí que a fé é cega e burra. Mas se for pra ver um mundo sem fé, também prefiro ser cego. 



sexta-feira, 16 de maio de 2014

Será Que Existe Alguém aí?

(Música e letra: Adan Carvalho)

Algumas fotos largadas pelo chão
Folhas riscadas, rasgadas cartas,
Mostram que a vida não é como se escreveu

Sombras, paredes pintadas, sala vazia
Discos arremessados nas paredes
E um grito que só você pode escutar

Será que ninguém pode ouvir?
Dois segundos nos separam de toda uma vida
Será que existe alguém aí?

E quanto tempo passou até que tudo voltasse?
A rotina, o sonho, os despedaços
O velho horizonte e um novo olhar

Até ouvir tua voz me parece estranho
Me sinto estranho quando não te vejo
E até o que sinto não posso gritar

Será que ninguém pode ouvir?
Dois segundos nos separam de toda uma vida
Será que existe alguém aí?

Mais quanto tempo?
Mais uma vida?
Não importa o que aconteça 
Não vou me entregar

Só mais um tempo
Não falte a fé
Não importa o que aconteça
Não vou me entregar



terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Do Que Morrem os Doentes



A misericórdia é um dom gratuito que Deus nos oferece, pois todos nós pecamos e estamos destituídos de Sua glória (Romanos 3, 23). No entanto, como devedores que têm sua enorme dívida perdoada, agarramos aqueles que nos devem pelo pescoço e os humilhamos em frente a todos. Arrancamos a bengala do manco e tiramos as vestes do leproso. Falamos dos pecados alheios, apenas por não ter nada melhor para falar. Expomos as vergonhas daqueles que um dia foram nossos irmãos de caminhada, apenas para expelir o fel que jorra de nossa própria hipocrisia. 

Na bíblia está escrito: “...a boca perversa, eu odeio” (Prov. 8:13). Deus nos ordena: “Não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo.” (Lev. 19:16). Ele também diz: “...aprendem também a andar ociosas de casa em casa; e não só ociosas, mas também paroleiras e curiosas, falando o que não convém.” (I Tim. 5:13). E no Salmo 101:5, Deus diz: “Aquele que murmura do seu próximo às escondidas, Eu o destruirei.” Deus é da opinião de  que pessoas tagarelas não O reconhecem, estando entregues aos seus pensamentos corrompidos. Ele equipara pessoas difamadoras com aqueles que não merecem confiança, como assassinos e aborrecedores de Deus: "Sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães; Néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia; Os quais, conhecendo o juízo de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem" (Romanos 1:30-32).


Ainda posso citar: "o homem perverso instiga a contenda, e o intrigante separa os maiores amigos" (Provérbios 16:28). "A boca do tolo é a sua própria destruição, e os seus lábios um laço para a sua alma. As palavras do mexeriqueiro são como doces bocados; elas descem ao íntimo do ventre" (Provérbios 18:7-8). "Quem é cuidadoso no que fala evita muito sofrimento" (Provérbios 21:23).


Uma igreja sem misericórdia é uma igreja onde não existe a Graça de Deus. A língua mata mais do que qualquer arma já feita pelo homem. Destrói a vontade das pessoas, tira a esperança e o desejo de evoluir. Enche um coração de medo. Faz o Espírito se entristecer. Mas é mais importante receber uns "likes" no facebook. É mais importante ter de quem rir na roda de amigos. É mais fácil do que examinar-se a si mesmo e ver o quão odioso e mesquinho é por dentro. 

Alguém que pretenda ser cristão, antes de tudo, resplandeça a misericórdia de Deus. Não aja com um abutre faminto em volta da carcaça. O coração deve medir mais que língua. As mãos que ajudam, devem alcançar mais que as palavras. Nem aqueles que negam a Cristo, merecem ser alvos de chacota por seus pecados, quanto mais os que querem mudar através Dele.  Triste e deprimente é ver um local de cura se transformar em lugar de condenação. Triste e deprimente é ver pessoas que deveriam levar a verdade, se deixarem levar por calúnias umas com as outras. Triste e deprimente é ver bocas que deviam pregar a compaixão, perdão e misericórdia, gritarem humilhação e vergonha sobre os outros. 

Saibamos que a língua que agora é juiz, responderá, um dia, pela desesperança e sofrimento dos que  procuraram força nas palavras dos que se dizem filhos de Deus. É disso que morrem os doentes.  




quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Ao Fim da Estrada

O remédio é a cura da doença ou sua consagração? Acaso, a dor é sintoma do mal ou o bem que grita para não morrer? O que padece é vítima daquilo que fez padecer. Se escuta mais tua voz do que a qualquer outra, é sinal de que o silêncio morre em demasiado barulho. A solidão é tão necessária quanto a companhia. Me diga o que é a alegria sem a tristeza? Onde quer deixar sua pegadas? Quais cicatrizes estarão em sua pele? Quais vozes vão morar em sua lembrança além da sua? Tudo é uma questão de cumplicidade. Um paradoxo tênue que a poucos é dado entender. É, de alguma forma, o mal o contrário do bem? As estrelas só brilham na escuridão da noite. Não quero chegar ao fim da vida e olhar para trás para poder ver as coisas boas que tive, quero olhar dentro de mim e perceber que me tornei bom, como deveria ser. 



segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Sereno Sossego

Derramo meu coração. Súplico um alento que aqueça. Preciso da redenção que faz renascer a vontade. Desejo o perdão Daquele que o inventou. Palavras se esvaem da calejada alma. Cabeça é um tornado, um peso nos ombros que carregam o passado. Espero vazio, que o vazio se acabe. Espero do alto o anjo de Deus. Refaça a história, me faça de novo. O clamor clama amor. Um pouco de coração no peito. Me cobre o céu enquanto me descubro da culpa. É o joelho que fala, que faz a oração. Atravesso o tempo e vejo um dia mais calmo. Esse é o sabor de perdão. Preciso provar mais uma vez. Sempre. Então me leve daqui, óh Deus de minh'alma. Me tire do lugar onde vagam os pesarosos. Me faça andar na misericórdia não merecida, mas que tanto preciso. Guerra de espadas no meu peito. Gritos e dores, cansados em mim. Esse é o jardim de flores negras, plantado ao vento do ódio. Regado à impulsivas palavras, postadas sem zelo. Essas são as terras reservadas aos aflitos, onde ritos e mitos não curam ninguém. Esse é o canto sozinho do que perdeu seu caminho e caminha perdido. É o cálice do fel, da uva pisada por pés calçados a ódio. Deserto de pedra. Ouve bem alto o que sussurra minha alma. Não é  sorriso que peço em prece. Quero, apenas, o sereno sossego do descanso de Teu perdão. 






Da Velha Infância


Às vezes, se vai
Às vezes, o dia se vai sem que eu possa ver
Lembranças de paz
Vão e vem, 
Eu escuto Tua voz

Eu me lembro do tempo
Em que eram puras todas canções
Acreditava que só precisava 
Me esconder embaixo dos lençóis

Mas a vida tem um jeito de acontecer
De repente, tudo muda de lugar
E o que vai fazer valer
É o quanto vai lutar