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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

A Última Carta de Amor Que Andrew Pinheiro Escreveu Calçado

Do nosso amor, ficou um par de tênis que você me deu. Desbotado de tanto que uso. Não é só porque gostei do presente, mas foi você quem me deu. Lembro que uma ou mil vezes me chamou a atenção (eufemismo em sua mais pura e literal interpretação) sobre não usarmos aliança de compromisso ou qualquer coisa assim. Era algo que você precisava para ter segurança. Todas as madrugadas que me aventurava na rua só pra ficar mais dez minutos contigo ao meu lado, dormindo a maioria das vezes. Todos os pedidos de perdão e o perdão dado. Todas as ligações ao longo do dia, todo dia. As músicas que secretamente tinham seu nome. As incontáveis horas tentando fazer você sorrir. Tudo que eu nunca fui pra ninguém, eu fui pra ti. Quando, relutante, que isso fique bem claro, eu deixava que testasse em mim até seus esmaltes. A omelete que aprendi a fazer, logo eu que queimava até água na cozinha. Os passeios bobos só pra comer besteira. O pinguim que parecia comigo. A barba que eu fazia sem querer fazer, isso já se tornara mais raro. Enfim, todas as vezes que era claramente muito mais fácil ir embora do que ficar e eu ainda ficava. Porque o meu futuro tinha uma criança que parecia com você, uma casa comprada com muito trabalho, sextas de hambúrguer, um cachorro chamado Tihuana, dois velhos reclamões que se amavam. Essas coisas não te davam a segurança que um elo de prata ou ouro no dedo traria. Esse par de tênis era minha aliança. A camisa que trouxe do nordeste, O perfume que me deu. Teu sorriso. As vezes que me ajudou, o abraço que me acalmava, a voz que fazia pra me imitar. Quando encostava sua cabeça no meu ombro ao andar na rua, o medo que você tinha dos cachorros e suas tentativas frustradas de assustar os gatos. As lembranças de tudo que vivemos. Tudo isso era minha aliança. Só ficou o par de tênis e uma escolha que não fiz. 


terça-feira, 2 de setembro de 2014

Nem Que Seja Pra Dizer Que Te Amo

(Letra e música: Adan Carvalho)

Olhos fechados, não vou insistir
Alguma coisa está fora do lugar
Sei, não entendo o que está acontecendo 
Mas posso dizer: 
Que também posso sentir 

E vou estar aqui
Quando você voltar
Nem que seja pra dizer que te amo

Sei que a vida nem sempre é
Do jeito que nós dois sonhamos
Mas tudo acontece por um motivo
Que nos mostra o que devemos ser 

E vou estar aqui
Quando você voltar
Nem que seja pra dizer que te amo

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Sobre Ter Fé


Deixa eu te falar um pouco sobre o que é ter fé. Sabe quando escurece e você faz planos para o dia seguinte? Não há certeza que ele virá, mas está acostumado que o sol nasça todas as manhãs. Intuitivamente você crê. Racionalmente você entende. Empiricamente você concebe. Disso que falo, não é ter fé. A fé toma lugar onde a razão não chega. Ela lê o inteligível e explica o que os mais elaborados e eloquentes discursos não podem explanar. Clareia a sala, ainda que não haja luz. É o porto que abriga os que navegam sozinhos. Ela é o afago que acalma a desesperança. A mãe de toda a esperança. Ela é o que não se viu e nem se ouviu, mas o que o coração aprendeu a amar. É mar de certezas daquilo que não se pode comprovar. É prova de que não é o mais forte que sempre vence, mas o que crê. Porque é muito fácil lutar e vencer quando se tem tudo para prosperar. Porém, há quem nasça na contramão, com um destino escrito de antemão. Aqueles que entendem que a sorte não é justa. Para esses, ter fé é ar.  É o vento que lhes dá asas. É o peso que favorece. O caminho que os leva àquilo que precisam. Pena que nem todos saibam o que precisam. A fé é tão importante que até o conhecedor de todas as coisas a possui. Pois Ele teve fé ao criar um ser que iria abandoná-Lo e desprezá-Lo. Contudo, foi nesse desprezo e abandono que nasceu a fé. A mais genuína delas, a de pai. Aquela que acredita com todo coração que ainda que o filho se perca, ele saberá como voltar. Dizem por aí que a fé é cega e burra. Mas se for pra ver um mundo sem fé, também prefiro ser cego. 



sexta-feira, 16 de maio de 2014

Será Que Existe Alguém aí?

(Música e letra: Adan Carvalho)

Algumas fotos largadas pelo chão
Folhas riscadas, rasgadas cartas,
Mostram que a vida não é como se escreveu

Sombras, paredes pintadas, sala vazia
Discos arremessados nas paredes
E um grito que só você pode escutar

Será que ninguém pode ouvir?
Dois segundos nos separam de toda uma vida
Será que existe alguém aí?

E quanto tempo passou até que tudo voltasse?
A rotina, o sonho, os despedaços
O velho horizonte e um novo olhar

Até ouvir tua voz me parece estranho
Me sinto estranho quando não te vejo
E até o que sinto não posso gritar

Será que ninguém pode ouvir?
Dois segundos nos separam de toda uma vida
Será que existe alguém aí?

Mais quanto tempo?
Mais uma vida?
Não importa o que aconteça 
Não vou me entregar

Só mais um tempo
Não falte a fé
Não importa o que aconteça
Não vou me entregar



terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Do Que Morrem os Doentes



A misericórdia é um dom gratuito que Deus nos oferece, pois todos nós pecamos e estamos destituídos de Sua glória (Romanos 3, 23). No entanto, como devedores que têm sua enorme dívida perdoada, agarramos aqueles que nos devem pelo pescoço e os humilhamos em frente a todos. Arrancamos a bengala do manco e tiramos as vestes do leproso. Falamos dos pecados alheios, apenas por não ter nada melhor para falar. Expomos as vergonhas daqueles que um dia foram nossos irmãos de caminhada, apenas para expelir o fel que jorra de nossa própria hipocrisia. 

Na bíblia está escrito: “...a boca perversa, eu odeio” (Prov. 8:13). Deus nos ordena: “Não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo.” (Lev. 19:16). Ele também diz: “...aprendem também a andar ociosas de casa em casa; e não só ociosas, mas também paroleiras e curiosas, falando o que não convém.” (I Tim. 5:13). E no Salmo 101:5, Deus diz: “Aquele que murmura do seu próximo às escondidas, Eu o destruirei.” Deus é da opinião de  que pessoas tagarelas não O reconhecem, estando entregues aos seus pensamentos corrompidos. Ele equipara pessoas difamadoras com aqueles que não merecem confiança, como assassinos e aborrecedores de Deus: "Sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães; Néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia; Os quais, conhecendo o juízo de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem" (Romanos 1:30-32).


Ainda posso citar: "o homem perverso instiga a contenda, e o intrigante separa os maiores amigos" (Provérbios 16:28). "A boca do tolo é a sua própria destruição, e os seus lábios um laço para a sua alma. As palavras do mexeriqueiro são como doces bocados; elas descem ao íntimo do ventre" (Provérbios 18:7-8). "Quem é cuidadoso no que fala evita muito sofrimento" (Provérbios 21:23).


Uma igreja sem misericórdia é uma igreja onde não existe a Graça de Deus. A língua mata mais do que qualquer arma já feita pelo homem. Destrói a vontade das pessoas, tira a esperança e o desejo de evoluir. Enche um coração de medo. Faz o Espírito se entristecer. Mas é mais importante receber uns "likes" no facebook. É mais importante ter de quem rir na roda de amigos. É mais fácil do que examinar-se a si mesmo e ver o quão odioso e mesquinho é por dentro. 

Alguém que pretenda ser cristão, antes de tudo, resplandeça a misericórdia de Deus. Não aja com um abutre faminto em volta da carcaça. O coração deve medir mais que língua. As mãos que ajudam, devem alcançar mais que as palavras. Nem aqueles que negam a Cristo, merecem ser alvos de chacota por seus pecados, quanto mais os que querem mudar através Dele.  Triste e deprimente é ver um local de cura se transformar em lugar de condenação. Triste e deprimente é ver pessoas que deveriam levar a verdade, se deixarem levar por calúnias umas com as outras. Triste e deprimente é ver bocas que deviam pregar a compaixão, perdão e misericórdia, gritarem humilhação e vergonha sobre os outros. 

Saibamos que a língua que agora é juiz, responderá, um dia, pela desesperança e sofrimento dos que  procuraram força nas palavras dos que se dizem filhos de Deus. É disso que morrem os doentes.  




quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Ao Fim da Estrada

O remédio é a cura da doença ou sua consagração? Acaso, a dor é sintoma do mal ou o bem que grita para não morrer? O que padece é vítima daquilo que fez padecer. Se escuta mais tua voz do que a qualquer outra, é sinal de que o silêncio morre em demasiado barulho. A solidão é tão necessária quanto a companhia. Me diga o que é a alegria sem a tristeza? Onde quer deixar sua pegadas? Quais cicatrizes estarão em sua pele? Quais vozes vão morar em sua lembrança além da sua? Tudo é uma questão de cumplicidade. Um paradoxo tênue que a poucos é dado entender. É, de alguma forma, o mal o contrário do bem? As estrelas só brilham na escuridão da noite. Não quero chegar ao fim da vida e olhar para trás para poder ver as coisas boas que tive, quero olhar dentro de mim e perceber que me tornei bom, como deveria ser.